RUA DONA MAROQUINHA

SAINDO PELA RUA DONA MAROQUINHA NA VILA SÃO JOSE

(Lembrando o Inexistente)

Na Rua Coronel Philomeno (hoje Messias Philomeno), adentro a um estreito beco, que outrora na estação chuvosa era palco das brincadeiras de bola de gude e do triângulo. Levantando a cabeça não vejo mais a monumental caixa d’água do seu Telles acompanhada das árvores Pau Brasil e Monguba, nem mais a larga calçada da padaria do português Augusto Pinho.

Casa de nº 43 Foi Meu Berço 

As quadras recheadas de Jurubeba, Mamona e Canapum foram avacalhadas e tomadas pela especulação imobiliária, tendo arranha-céus. Numa quadra ao sudoeste o estreito caminho entre mato que nos levava à Vila São Pedro, muitos buracos e armadilhas chamados de quebra canelas. Na vila S. Pedro na segunda casa na beira dos trilhos da Via de Baturité, estava a bodega já em decadência do Abelardo sapateiro. Nas empoeiradas prateleiras de madeira, lembro-me de garrafas da cachaça Bagageira com as tampas enferrujando e da Zinebra. Esse matagal desapareceu, galpões foram construídos e funcionou de modo efêmero a MatusKela, fabrica de confecções da estilista Sandra Calixto, mas que agora abriga um residencial.

E a mercearia do seu Ozanan? Quantas vezes fui comprar macarrão Nebran com embalagem de papel no barbante! Tinha os espaguetes de 0 e 00. E a gordura de coco cariri da Siqueira Gurgel? Ah! Quanta coisa ali comprava. Pacote de biscoito em forma de letras de nosso alfabeto de fabricação Inca, e o que dizer do arroz velho e amarelado do Maranhão?! O agradável vidro de Toddy, onde era uma disputa pelo soldadinho que vinha dentro do pó de chocolate. Desse local resta uma porta de alumínio como entrada do condomínio que ocupou toda a aquela área onde tinha a casa de Dona Amália, o Mercadinho e Vila São Pedro. Existiam casas na Rua Dona Maroquinha, como a Casa do Velho Senhor Bandeira e do Fanta filho do Eliezer. Pela Rua Adolpho Campelo as residências dos chamados pela meninada de: tios Afonso e Amadeu. A Rua Adolpho Campelo agora é apenas uma via de acesso sem vida.

Enfim chegamos à Avenida Francisco Sá numa palmilhação entre muros. Todas as casas da Rua D. Maroquinha desapareceram.

É, parece que menino viu melhor as coisas, porque a modernidade apaga o cenário real, mas não apaga do coração saudoso a existência de uma vida vivida outrora de modo salutar.

Agora é passado, passou.