COUTO FERNANDES

image description
image description

Quando foi projetada a passagem do trem pelo bairro das Damas, a direção da Estrada de Ferro de Baturité atendeu ao pedido do Português José Joaquim Carneiro fazendo nos fundos do seu sítio uma parada estratégica no Km 8. A influência política do Sr. Carneiro na época (1872) foi tanta que, a linha de Baturité (atual linha sul) no inicio de sua construção era para ser em tangente do Porangabussu até Arronches (Parangaba), porém a mesma após sair do Km 8 fez, como vemos hoje, uma grande curva à esquerda e no bar avião na Av. João Pessoa, que na época era uma estrada carroçável, descontar fazendo  “s” para atingir a estação.

Pois bem, o depósito de lenhas das locomotivas à vapor que era localizado na Central e  depois no Otávio Bonfim, em 1937 foi instalado nas Damas (Km 8), quando se fez necessário construir desvios para receber as gôndolas carregadas com lenhas provenientes de Acarape e do Horto Florestal em Antonio Diogo, que na época se chamava “Canafístula”.

A Rede de Viação Cearense – RVC com o movimento das descargas de madeiras e abastecimento das locomotivas resolveu construir e inaugurar em 1 de agosto de 1940 a Estação do Km 8 que agora facilitou  também os despachantes e passageiros que embarcavam em Parangaba. Erguida na altitude de 22,800 m, a mesma passou aos 3 de agosto de 1955 a se chamar Couto Fernandes.

Silenciosamente a nossa ferrovia guarda neste local muita história a bem dos ferroviários. Você sabia que existia um clube de mães e que, a Escola Artur Câmara foi construída e mantida pela RVC em 1963? Não! Mas garanto que se lembra dos locais do Sindicato dos ferroviários e do gigantão da José Bastos. Tudo era patrimônio de nossa saudosa RFFSA.

No início dos anos 60 a estrada de ferro que utilizava como dormentes (troncos horizontais que com grampos fixavam os trilhos ao solo) madeiras do tipo Acende-candeia, Angelim – pedra, Angico vermelho, Pau d’arco, Tamboril, Jacarandá-preto, Ipê-tabaco e Pau Pereira, passou a utilizar tecnologia européia de Madeiras Creosotada, quando foi construída ao lado da estação a Usina Engº Guedes Martins, para tratamento dos mesmos. Provenientes do vizinho Estado do Piauí, as gôndolas com os dormentes crus eram entalhados e, conduzidos em vagonetes iam para a autoclave, onde se processava a impregnação. Tinha cinco silos de óleo.

A engenharia ferroviária é uma das mais dinâmicas, pois em 1980 foi construída uma nova estação e os dormentes que eram de madeiras foram substituídos por concreto, levando a Usina de tratamento a paralisar suas atividades em 1995. O local da Usina foi transformado num canteiro de obras do Metrô de Fortaleza , e a segunda estação passou por reformas e com uma nova estética, atender os trens de cara novos.

A Estação de Couto Fernandes é caracterizada como a que melhor se emparelha ao transporte Rodoviário Coletivo, afinal a Avenida José Bastos é uma Via de Mão Dupla e de Maior Movimento no sentido Norte Sul. Pena que apesar de tanto espaço, sempre que as Empresas ferroviárias queriam uma nova roupagem em seu prédio, colocavam no chão para erguer outra, quando a faixa de domínio favorecia conservação. O modernismo não perdoa, mas os saudosistas sentem, de sua fase de ser passageiro do seu trem na época.