A CATEDRAL DA SÉ

 

                     

 

A história da Catedral Metropolitana de Fortaleza remonta para o início do século XVII. Com a terceira expedição ao solo cearense, em 1611, Martim Soares Moreno, vindo do Forte dos Reis Magos, Natal – RN, acompanhado do padre Baltazar João Barreira e alguns soldados ergueram, em janeiro de 1612, um fortim denominado S. Sebastião e, ao seu lado construíram, em taipa, uma capela sob a devoção de Nossa Senhora do Amparo.

O fortim se manteve até 1637, quando foi tomado pelos holandeses. Pouco tempo os invasores ali ficaram, pois, foram massacrados por índios em revolta. A capela provavelmente tenha sido destruída nesse período.

Em 1649, com a volta dos flamengos ao Ceará, foi levantado um novo forte à margem esquerda do rio Marajaituba. O comandante, Matias Beck o denominou de Forte Schoonemborch, nome do então governante holandês do Recife. Este Forte deu origem à cidade de Fortaleza. O domínio holandês demorou apenas cinco anos (1654) e, sob o comando de brasileiros e portugueses a sua denominação foi modificada para Forte de Nossa Senhora de Assunção.

Data de 1699, a Capela de Nossa Senhora da Assunção no Centro de Fortaleza, ao Oeste do Pomposo e navegável Riacho Pajeú. A Ordem Régia mandou que se construísse uma Matriz. O Padre Antonio Álvares de Carvalho contrataria José Gonçalves Ferreira Ramos e assim a enfadada obra se concluiria em 1795. As vistorias pelas Confrarias eram constantes, e foi quando em 1820 houve a constatação de que muita coisa havia na igreja, como sendo completamente deteriorada.

A Igreja do Rosário havia sido feita à mão pelos negros da irmandade de Nossa Senhora dos Negros, e numa época em que havia separação racista e muita discriminação socioeconômica principalmente em Templos Religiosos. Antes de se tornar Praça do Palácio ou General Tibúrcio, ali se reunia os escravos de confiança de seus senhores, na certeza de que não fugiam. Foi nessa igreja pequena e em taipa que entre 1821 e 1854 ocorria as reuniões e festejos, dentre as quais a Primeira Celebração da Festa de Nossa Senhora do Rosário e também as orações e a devoção dos fiéis.  Nesse período também assassinaram o Major Facundo (1841), e seu sepultamento foi lá, pois, os enterramentos eram feitos nas igrejas, devido a não existência de cemitérios na Cidade. Os pobres eram enterrados num terreno improvisado ao lado onde seria erguido o Seminário Episcopal.

Então, nos anos de 1820 foi iniciada a construção de um novo templo em alvenaria, que levou mais de trinta anos para sua conclusão (1854) e foi denominada de Sé, tendo como padroeiro São José. Após 1854 os trabalhos eclesiásticos da igreja voltaram para o Templo, e a igreja do Rosário ficou mais desafogada. Não sei se isso procede por falta de fontes primárias, mas comentou-se que a Igreja da Sé ficou com a elite, e o proletariado e escravos com a do Rosário. Fica como boato pois, nunca foi confirmado isso em documentos.

Findada essa etapa, Dom Luís Antonio dos Santos foi nomeado primeiro Bispo do Ceará aos 21 de setembro de 1861, e aí a igreja tomou a qualificação de Catedral. Não existem registros fotográficos, mas na Sé tinha um relógio que não só informava a hora, mas era um regulador da Cidade, um guia para as pessoas.

Com a saúde já debilitada, em 24 de fevereiro de 1884 tomou posse em substituição a Dom Luís, Dom Joaquim José Vieira que ficou à frente até 14 de março de 1912. Dom Luís faleceu em 1891. Dom Joaquim trabalhou muito na parte administrativo-eclesiástica tendo em vista o Brasil passar de Monarquia para República, e a questão religiosa foi a mais debatida para adaptação, principalmente por um dos maiores juristas da época, Dr Rui Barbosa. Por exemplo, foi extinto o Juizado de Capelas em que o casamento religioso tinha valor legal, tal qual o Civil, e houve abertura religiosa. O Brasil não teve mais religião oficial.

Última Missa Realizado no Templo de 1854

O baiano Dom Manuel da Silva Gomes foi o terceiro Bispo de Fortaleza e primeiro Arcebispo de Fortaleza, ficando muito admirado na cidade por sua postura caridosa. Foi o responsável por muitas obras dentre as quais: o Circulo Operário Cristão e o Jornal O Nordeste. Ficou conhecido como “Bispo da Seca”, porque foi incansável no pedido de socorro no Sul do País numa fenomenal campanha, em prol dos retirantes e vítimas da nefasta seca de 1915.

Um laudo dos engenheiros, na década de 1930, revelou que havia rachadura da igreja de São José. Houve muita polêmica sobre a construção de uma nova Sé em outro lugar da cidade, ou no mesmo da octogenária igreja, já sem possibilidade de recuperação. Mais um desafia para D. Manuel, e a Sé começou a ser demolida em1938. O Refúgio foi novamente a Igreja do Rosário, mas agora com mais condições de acolhimento.

No dia 15 de agosto de 1939, foi lançada a pedra fundamental da Catedral Metropolitana de Fortaleza, com o projeto do engenheiro francês Georges Mounier que chegou ao Brasil na Segunda Guerra Mundial e que morava em Recife – PE.  Em 1941 assume a direção da Igreja Dom Almeida Lustosa em face de Dom Manuel adoecer e falecer em 14 de março de 1950. Dom Almeida Lustosa ficaria até 1963.                                                                                                                        Procissão realizada em 1905. Rua Guilherme Rocha

                                                Com Praça José de Alencar (Marques do Herval na época) 

Aos 8 de setembro de 1963 assume o Comando Episcopal em Fortaleza Dom José de Medeiros Delgado, agora como missão trabalhar na colossal construção da Igreja, Comandar o Jornal O Nordeste, Banco Popular e a Rádio Assunção Cearense.

                       A construção, apesar de opiniões a favor e contra, contou com o empenho de diversas pessoas e ajuda financeira de inúmeros segmentos da sociedade. A posse do Cardeal Dom Aloísio Lorscheider em 1973, como Arcebispo de Fortaleza, muito contribuiu para que a Catedral fosse concluída e finalmente inaugurada, em 22 de dezembro de 1978.

Como é comum, as grandes catedrais possuem criptas. A Sé de Fortaleza também possui a sua. A princípio era subsolo-aterro. Ela é a única que desde a sua inauguração em 1962, consagrou seu espaço à juventude. Construída pelo engenheiro Luciano Pamplona, a Cripta dos Adolescentes, como foi denominada por D. Antônio de Almeida Lustosa (Arcebispo da época), homenageia em seus altares, santos que morreram na adolescência: Tarcíso, Domingos Sávio, Pancrácio, Luzia, Inês e Goretti.

A Catedral Metropolitana de Fortaleza é a terceira maior do País, com capacidade para abrigar cinco mil pessoas. É um monumento histórico, localizado no centro da cidade, e se destaca por sua imponência arquitetônica, seus belos vitrais e pelo estilo gótico romano. Consta de duas torres de 75 metros tendo 90 metros de comprimento e 45 de largura.

Jornal O Nordeste

 

 

HISTÓRIA DA DIOCESE DO CEARÁ

 

A Diocese do Ceará foi criada em 1853 por um decreto do Imperador Dom Pedro II. No ano seguinte, em 6 de junho de 1854, o papa Pio IX expediu a Bula Pro animarum salute, criando a Diocese nos trâmites da Igreja.

As dioceses só podiam ser criadas pelo papa após o decreto imperial. A bula papal só foi oficializada em 1860, depois de sete anos de briga entre Vaticano e o Estado brasileiro. Desmembrada de Olinda, a Diocese era quase todo o território da Província do Ceará.

Civilmente, o Ceará já se havia emancipado da Província de Pernambuco desde 1799. Eclesiasticamente, até 1854, era apenas Vigararia Forânea da Diocese de Olinda.

O território da nova Diocese era quase o mesmo do atual Estado do Ceará. Faltavam apenas as paróquias de Crateús e Independência, ligadas a São Luís do Maranhão.

A população da Diocese, neste tempo, calculava-se em 650.000 habitantes. A população era quase totalmente católica, pois o recenseamento de 1888 registra apenas cento e cinquenta protestantes e uma dúzia de judeus. A cidade de Fortaleza constava de cerca de 9.000 habitantes.

Nessa época havia na Diocese 34 paróquias e um curato. O número de igrejas era de 78 e o de capelas 11, em toda a província do Ceará.

Antes de ser diocese, o Bispo de Olinda (e antes dele o da Bahia) nomeava Visitadores Eclesiásticos para a Vigararia do Ceará. O primeiro desses visitadores foi Frei Félix Machado Freire (1735) e último foi Padre Antonio Pinto de Mendonça (1844 a 1881).

O primeiro bispo da Diocese foi Dom Luis Antônio dos Santos.

A Diocese do Ceará, com a criação das Dioceses de Crato e Sobral, foi elevada a Arquidiocese de Fortaleza, em 10 de novembro de 1915, pela Bula “Catholicae Religionis Bonum”do Papa Bento XV. Em 1939, deu-se criação da Diocese de Limoeiro do Norte; em 1960, criação da Diocese de Iguatu e em 1963 foi criada da Diocese de Crateús e em 1971 as Diocese de Itapipoca, Quixadá e Tianguá.

 

Cronologia Eclesiástica

1607 – Chegada dos primeiros missionários jesuítas. Padre Francisco Pinto e padre Luís Figueira.

1608 – Fundação do primeiro aldeamento missionário da Ibiapaba – Aldeia de São Lourenço e martírio do padre Francisco Pinto.

1611 – Chegada do padre Baltazar João Correia junto com a expedição de Martim Soares Moreno.

1649 – Estabelecimento de uma missão protestante, aos cuidados do pastor inglês Tomás Kemp durante a segunda tentativa de ocupação holandesa.

1654 – Martírio do pastor Tomás Kemp na revolta indígena que sucedeu a expulsão da Companhia das Índias Ocidentais do Recife.

1656 – Os jesuítas Pedro Pedrosa e Antonio Ribeiro retomam a evangelização dos índios do Ceará. Seu principal objetivo era apagar qualquer traço da influência protestante entre os índios.

1660 – O padre Antônio Vieira visita pessoalmente a Ibiapaba.

1758 – A Companhia de Jesus é expulsa do Brasil por ordem do Marquês de Pombal. As aldeias jesuítas do Ceará, entre elas os atuais bairros de Parangaba, Messejana, e as cidades de Caucaia, Viçosa, Baturité entre outras, passam à categoria de Vilas Reais.

1853 – Lei Geral nº 693 autoriza o governo imperial a solicitar da Santa Sé a criação do bispado do Ceará, desmembrado do bispado de Olinda.

1859 – O padre Luís Antônio dos Santos é nomeado primeiro bispo do Ceará.

1861 – Instalação do bispado e posse do primeiro bispo.

1864 – Fundação do Seminário da Prainha.

1870 – A Igreja do Ceará participa, pela primeira vez, de um Concílio Ecumênico, na pessoa de dom Luís Antonio dos Santos (Concílio Vaticano I)

1881 – Chegada do missionário presbiteriano, Rev. De Lacy Wordlaw.

1884 – Tomou posse aos 24 de fevereiro Dom Joaquim José Vieira.

                                                                                 Dom Joaquim

1889 – Acontecem os primeiros fenômenos religiosos em Juazeiro envolvendo o padre Cícero Romão Batista.

1914 – Elevação da diocese do Ceará à categoria de arquidiocese. Criação da diocese do Crato.

1912 – Dom Manuel da Silva Gomes, o Bispo da “Seca” que enfrentou a catástrofe da seca de 1915.

1915 – Criação da diocese de Sobral.

1938 – Criação da diocese de Limoeiro.

1941 –  Assume a Igreja Dom Almeida Lustosa.

1961 – Criação da diocese de Iguatu.

1963 –  Dom José de Medeiros Delgado substitui Dom Lustosa.

1964 – Criação da diocese de Crateús.

1971 – Criação das dioceses de Quixadá, Tianguá e Itapipoca.

1973 – Nomeação de dom Aloísio Lorscheider para arcebispo de Fortaleza.

1976 – Dom Aloísio é criado e publicado cardeal pelo papa Paulo VI

1978 – Dom Aloísio é o primeiro bispo do Ceará a participar de dois conclaves.

1980 – O papa João Paulo II visita o Ceará.

1995 – Dom Aloísio pede transferência para a arquidiocese de Aparecida por motivos de saúde.

1996 – Dom Cláudio Hummes é nomeado arcebispo de Fortaleza.

1998 – Dom Cláudio é transferido para a arquidiocese de São Paulo.

1999 – Dom José Antônio Aparecido Tosi Marques é nomeado arcebispo de Fortaleza.