BRASIL OITICICA

  

 

Em 1931 foi editado por Paulo Bezerra o ÁLBUM DE FORTALEZA, que traz entre as páginas de reclames, o anúncio sobre a firma C.N. Pamplona & Cia como sendo instalada na Prainha, entre o Poço das Dragas e a Praia do Peixe (Iracema) no Largo da Alfândega.

A família Pamplona por sua notoriedade empresarial já se destacava nos ares da Fortaleza Bélle Époque  quando, Confúcio Pamplona conseguiu instalar uma Companhia Telefônica para a Capital, tendo em sua residência a linha nº 3, em fevereiro de 1883.

Carlito Nerbal Pamplona era um idealista criador de oportunidades. Tomando conhecimento da produção agrícola cearense, viu que não havia interesse dos empresários industriais da época quanto a usinagem da Oiticica, mamona, castanha do caju e o coco babaçu.

Procurou meios para expandir, mas essa expansão deveria fomentar migração e agregação. Escolheu aquele pedaço Oeste da cidade, terreno totalmente marginal, e que era cortado por a Via Férrea de Sobral. Por a parte Sul existia a parte rodoviária, apesar de pouco movimento de carros. Essa via era a antiga Estrada do Urubu, 5 de julho, Avenida Demósthenes Rockert (Hoje Francisco Sá). Tamanha a complexidade deste novo empreendimento, que ocupou dois terrenos no local. Esse bairro era o João Lopes que ficava entre Jacarecanga e a Floresta. Quando o Prefeito Acrísio Moreira da Rocha assinou o decreto nº 52, de 16 de agosto de 1948 Criando o Bairro Brasil Oiticica, foram criados os Bairros Monte Castelo, Santa Maria e Vila Ellery.

Busquemos recuar. A história está ai para ratificar o planejamento de Carlito Pamplona no incentivo à compra de castanhas de caju, especialmente nos centros de produção em Municípios produtores no interior cearense.

A firma C.N. Pamplona & Cia. aos 14 de novembro de 1934 foi encampada por Morris Edward Marvin e Howard Burton Marvin, nascendo a Brasil Oiticica S/A. Todo o patrimônio e responsabilidades ficaram a cargo destes Norte Americanos. Esse parque industrial gerava cerca de mil empregos, com trabalhos em três turnos.

No lado norte da Avenida Francisco Sá ficava o Bloco administrativo, setor de óleo e exportação de óleo por ferrovia. Do lado Sul da pista ficava o restaurante, armazéns e beneficiamento de castanha. Todo a produção da Brasil Oiticica era à granéis e/ou in natura, por isso nunca vimos produtos desta empresa em supermercados, por se tratar de mercadoria intermediária.

A primeira vez que contemplei a fachada desta indústria foi num incontrolável incêndio, ocorrido aos 14 de dezembro de 1969. Segundo os socorristas, houve operários que sofreram queimaduras de 1 e 2 graus, sendo levados em ambulâncias do Samdú para a Assistência Municipal. Foi espetacular o caminhão escada de marca Mercedes Benz, apelidado de “Vovó”, e alguns caminhões pipas do Corpo de Bombeiros apagando as chamas. Num esforço hercúleo os nossos heróis debelaram as chamas.

Nos anos de 1970/80, crises climatéricas e a vitória do bicudo sobre a cotonicultura abalaram a vida

econômica do Estado. Várias empresas fecharam suas portas. José Pinto do Carmo, Fábrica São José, Fábrica Santa Cecília, Santa Lucia, Casa Machado, Siqueira Gurgel, São Judas Thadeu, Machado Araújo dentre tantas e a Brasil Oiticica foi nesta leva.

Os galpões da Brasil Oiticica ainda ficaram até 21 de abril de 2012, mas ainda tramita na justiça em última instância, os chamados processos de Massa Falida.

 

 

 

Carlito Nerbal Pamplona (1898 – 1947) pelos seus relevantes serviços prestados ao Ceará herdou o nome do Bairro Brasil Oiticica.