ESTAÇÃO OTÁVIO BONFIM, QUE SAUDADE DO TREM!

 

Quando foi inaugurada a Estrada de |Ferro de Baturité em 1873, a linha que partia da Estação Central fazia uma grande curva acentuada, penetrando na Rua Trilho de Ferro (atual Tristão Gonçalves) que, devido ao afogamento no Centro de Fortaleza fizera com que, o diretor da Rede de Viação Cearense Dr. Couto Fernandes desse início aos estudos para o desvio dos trilhos, livrando o trânsito e a população de acidentes.

Atendendo sua consultoria técnica e recebendo o sinal verde das autoridades, Couto Fernandes iniciou as obras ficando a linha em paralelo com a já avançada linha do Soure (Caucaia); depois a via fez uma curva de 90º nas terras do Coronel Pedro Filomeno Gomes, passando pela Estrada do Urubu, Morro do Ouro indo para o Matadouro, de onde os trilhos prosseguiam até o sitio do Amaral (Porangabussu) onde fez convergência de tráfego.

No dia 31 de dezembro de 1922 foi inaugurada a chamada “Linha Nova” , onde os trens faziam sua primeira parada no Matadouro, (Local da matança de gado para o abastecimento de carne verde para a cidade). A RVC depois adquiriu este terreno. Tão logo foi iniciada a retirada dos velhos trilhos do Centro de Fortaleza.

Com o novo trecho Estação central – Matadouro, a Rede de Viação juntamente com os órgãos governamentais oficializaram três passagens de nível assim descritas: Avenida Tomaz Pompeu (atual Filomeno Gomes), Estrada do Urubu (que já foi Demósthenes Rochert e agora Francisco Sá) e o Caminho do Barro vermelho que se denominou Av. Bezerra de Menezes, cuja inauguração de seu alargamento data de 1 de julho de 1959.

A Estação do Matadouro passou a se chamar Otávio Bonfim aos 24 de fevereiro de 1926, homenageando o Engº Chefe de tráfego da RVC, falecido no dia 30 de julho de 1925.

Pois bem, o Estado do Ceará como grande produtor de algodão que foi, escoava sua safra na maior parte por ferrovia, e os empresários construíam estrategicamente seus empreendimentos nas proximidades da Via férrea. Os desvios particulares eram construídos para o atendimento de seus interesses. Foi o caso da Usina Gurgel de propriedade da Firma Teófilo Gurgel valente, que se chamou “Usina ceará”, cuja inauguração ocorrera no dia 12 de outubro de 1919.

Quando a RVC inaugurou a estação de Soure (Caucaia), a linha nova foi conectada com a de Soure no Bairro do Tirol, formando assim um triângulo tanto para atalho no tráfego, bem como passou a servir para as locomotivas com composições fazerem reversões. Foi aí que a Casa Machado empresa também de beneficiamento de caroço de algodão, aproveitou a chamada perna do triangulo e construiu a fachada da empresa e, ao lado do Centro de Saúde Carlos Ribeiro fez o seu desvio para carga e descarga de vagões.

O destino às vezes coloca em nossa frente coisas efêmeras, e a estação de Otávio Bonfim parece-nos que é uma delas, se não vejamos:

 – Inaugurada a linda estação a mesma ficou com o nome de “Matadouro” de 31 de dezembro de 1922 até 24 de fevereiro de 1926;

– Já com o nome de Otávio Bonfim a fachada ficou até 1979, pois,  em 20 de maio de 1980 era inaugurada a estação atual pela Coordenadoria de Transporte Metropolitano da RFFSA;

– O depósito de lenhas que se localizava no pátio de Otavio Bonfim, aos 28 de janeiro de 1937 foi transferido para o Bairro das Damas no Km8 (atual Couto Fernandes) ficando lá até 1963; (No local do depósito de lenhas, foi inaugurada aos26 de dezembro de 1938 a Vila Operária da RVC).

Agora com o surgimento da Companhia de Transportes Metropolitano – Metrô de Fortaleza, o trem abandonou a área. É a inviabilização das coisas e espero o meu leitor concordar. A Siqueira Gurgel e a Casa Machado já desapareceram e os cargueiros passaram a trafegar por uma variante na corrente de tráfego Pajuçara-Caucaia saindo de circulação do perímetro urbano. É lamentável para uma empresa de transportes perder usuários, mas temos que viver a realidade; Otávio Bonfim é bem assistida por transportes alternativos.

O trem voltar a circular pela Tristão Gonçalves é a história se repetindo, mas uma nova história que facilitará a vida do fortalezense gerando ainda mais progresso.

O bairro Otávio Bonfim está sentindo saudade do seu trem, porém, no silencio da meditação vai compreender, se bem que já tem gente até cantando:  “Que saudade temos do trem!”.