MASSAPÊ TERRA DE UM POVO BRAVO!

 

Primitivamente, Massapê (Do tupi Solo Argiloso) chamou-se “Serra Verde” e, em 1700 era habitada pelos índios Tapuias cujo chefe da taba, o valente Cocochiní vivia em virgília, para repelir alguns ataques dos Areriús que dominavam às margens do Rio Acaraú. Esses selvagens embora de uma mesma cultura e sendo inimigos e rivais, respeitavam seus limites. Assim viviam em guerra fria até que, em 1713 os colonos brancos pertencentes a uma segunda expedição Governamental os atacaram, tomando-lhes as terras, as roças e como se não bastassem, até as donzelas indígenas passaram a serem suas mulheres, numa verdadeira guerra “cultura x emoção”. Dessa mistura originaram-se na zona Norte os inúmeros caboclos de chapéu de palha e alpercatas, cujos remanescentes com os mesmos antigos costumes ainda habitam na Serra da Meruoca; foi lá que nasceu a senhora Neley da família Porfírio, que é mãe do Professor e pesquisador ferroviário Francisco de Assis Silva de Lima.
Por volta de 1870 Massapê era uma simples fazendo do Município de Santana, Zona ribeira do Acaraú – mirim e pertencia a família do Capitão José Rodrigues de Lima. Essa propriedade rural não entrou em decadência, pois prosperou a olhos vistos, tornando-a sucessivamente distrito, Vila e finalmente Cidade.
Foram os dois anos consecutivos de secas (1877-78) que motivaram o Governo Imperial a construir uma estrada de ferro que, saindo de Camocim, iria para Sobral passando por Massapê.
Construída a estação ferroviária, as famílias vindas da cidade de Santana, das Vilas de Palmas (hoje Coreaú),de Meruoca,dos Remédios, São José, Oiticará, Aurora, Canafístula, Passagem, Raiz, Contendas, Boiadas, Aiuá, Mumbaba, Cacimbinhas e outras foram atraídas para morarem em Massapê.
Com altitude de 76,010 metros, aos 31 de dezembro de 1881, foi inaugurada a estação de Massapê, cuja cerimônia fora presidida pelo Engº da Estrada de Ferro de Sobral, João da Cunha Beltrão quando, triunfalmente a locomotiva nº 3 parou na esplanada. Posteriormente essas máquinas seriam apelidadas de “monstros de ferro com olhos de fogo”.
Por esse novo caminho de ferro que urbanizou os sertões e criou Vilas, passaram a circular os trens da Estrada de Sobral, e aqui faço registro das três primeiras locomotivas à vapor, todas adquiridas na The Baldwin Locomotiva Work, Filadélfia –USA. As mesmas tiveram as seguintes identificações: nº 1 “Sinimbú”; nº 2 “Viriato de Medeiros” e a nº 3 “Rocha Dias” (veio na inauguração).
A Estrada de Ferro de Sobral beneficiou Massapê, de onde exportou o seu algodão arbóreo, o herbáceo, milho e feijão. Na pecuária o gado bovino e o suíno.
Massapê foi elevado à Vila pela lei nº 398 de 25 de setembro de 1897 com o nome de Serra Verde, sendo instalada aos 5 de fevereiro de 1898. A elevação à categoria de Município, se deu por conta da lei nº 1.408 de 27 de agosto de 1917.
Como vários Municípios cearenses, a Vila Serra Verde, o atual Massapê deve sua consolidação à Estrada de Ferro de Sobral. O povo de Massapê é bravo, pois sofreu com a extinção do ramal ferroviário de Camocim em 1 de setembro de 1977. Ora se todo o progresso dessa cidade veio no trem, é preciso muita garra para sobreviver sem ele.
Para o enobrecimento da sua história, a estação ainda está de pé, para meditação dos pesquisadores e orgulho dessa gente.

Estação ainda de pé para meditação da pesquisa e orgulho dos filhos de Massapé.