IBICUÃ TEM SUA HISTÓRIA

 

               

O trem quer os rodoviários queiram ou não, foi o criador no duro, de todos os locais por onde a linha férrea passou. Caso já fosse cidade, complementava o seu desenvolvimento.

Os trilhos têm um magnetismo extraordinário, pois, tropeiros estrategicamente faziam seus parados à beira da ferrovia, e as famílias menos favorecidas migravam para lá. Parece que a passagem do trem consolava ou dava segurança onde se estabeleciam. Aí havia silenciosa reivindicação de uma parada, inicialmente, para o transporte de passageiros. Com o vaivém de usuários, a população começa a ficar economicamente ativa, afinal quando o homem entra no mercado de trabalho, a sua família entra no mercado de consumo. É assim que nascem cooperativas pequenas e, médias indústrias, comércio varejista e os distritos prósperos na maioria das vezes, se transformam em Cidades. Neste relato quero falar do próspero distrito de Ibicuã, localizado no Município de Piquet Carneiro (antigo Jirau) cujo território foi desmembrado de Senador Pompeu, em 1957.

Ibicuã tem a seguinte formação toponímica: Yby= Terra, chão, solo + Cui+ Farinha, areia fina. + Tab donde se obtém “habitação ou lugar sujeitos ao fluxo das tempestades marítimas“. (Dicionário de topônimos do Profº Aragão).

Primitivamente, Ibicuã foi chamado de Miguel Calmon; era habitada pelos índios Quixelôs (Tapuias) e que foram aldeados às margens do Rio Jaguaribe na Vila da Telha (Iguatú). Em 1719 esses indígenas passaram a habitar toda a região do Sertão Central do Ceará, no Brasil Colônia. Nessa época, as terras no sertão eram conseguidas gratuitamente, bastando serem requisitadas através da chamada “Carta de Sesmaria” às autoridades coloniais. Normalmente se iniciava antes a atividade pecuária, quando se tomava posse da terra e se erguia os currais; depois havia o pedido de propriedade legal concedendo Sesmarias (pedaços de terras cujas medidas eram no máximo três léguas de frente e uma de fundo).

O Governo português estimulava a ocupação dos sertões, pois, garantia domínio sobre as terras há tanto possuídas e não ocupadas, como também o entesouramento com cobranças de impostos sobre gados e a produção da terra. Foi assim que os conquistadores lusos invadiram pelo Rio Jaguaribe o interior cearense e escravizaram os  índios submissos,  exterminando os “rebeldes”. Assim os índios, verdadeiros donos de nossas terras desapareceram, restando entre nós um remanescente sem expressão.

Com o incremento do latifúndio, ficou a pecuária e a cotonicultura. Isso motivou no último quartel do século XIX quando da aprovação do traçado da Estrada de Ferro de Baturité, para que o trem passasse no distrito de Ibicuã, cuja inauguração da Estação Ferroviária ocorreu aos 3 de maio de 1908, no km 338,166, linha Sul do Estado.

Com o nome de Miguel Calmon, somente em 1945 é que ela tomaria o nome do Distrito.

Ibicuã por ferrovia transportou por muito tempo algodão arbóreo e herbáceo, e também gado, porém, com o enfraquecimento da cotonicultura cearense e, as constantes secas ocorridas no século passado, esse distrito sofreu também o efeito. As cargas desapareceram.

Com a erradicação dos trens de passageiros de longo percurso em dezembro de 1988, Ibicuã saiu da mídia, ficando vinculados seus acontecimentos à Piquet Carneiro, sua sede. Os moradores amam com orgulho a terra que os viu nascer, mas lhes falta algo, que presumo ser o movimento da Estação e as viagens de trem.

Dr Miguel Calmon

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

            

O trem quer os rodoviários queiram ou não, foi o criador no duro, de todos os locais por onde a linha férrea passou. Caso já fosse cidade, complementava o seu desenvolvimento.

Os trilhos têm um magnetismo extraordinário, pois, tropeiros estrategicamente faziam seus parados à beira da ferrovia, e as famílias menos favorecidas migravam para lá. Parece que a passagem do trem consolava ou dava segurança onde se estabeleciam. Aí havia silenciosa reivindicação de uma parada, inicialmente, para o transporte de passageiros. Com o vaivém de usuários, a população começa a ficar economicamente ativa, afinal quando o homem entra no mercado de trabalho, a sua família entra no mercado de consumo. É assim que nascem cooperativas pequenas e, médias indústrias, comércio varejista e os distritos prósperos na maioria das vezes, se transformam em Cidades. Neste relato quero falar do próspero distrito de Ibicuã, localizado no Município de Piquet Carneiro (antigo Jirau) cujo território foi desmembrado de Senador Pompeu, em 1957.

Ibicuã tem a seguinte formação toponímica: Yby= Terra, chão, solo + Cui+ Farinha, areia fina. + Tab donde se obtém “habitação ou lugar sujeitos ao fluxo das tempestades marítimas“. (Dicionário de topônimos do Profº Aragão).

Primitivamente, Ibicuã foi chamado de Miguel Calmon; era habitada pelos índios Quixelôs (Tapuias) e que foram aldeados às margens do Rio Jaguaribe na Vila da Telha (Iguatú). Em 1719 esses indígenas passaram a habitar toda a região do Sertão Central do Ceará, no Brasil Colônia. Nessa época, as terras no sertão eram conseguidas gratuitamente, bastando serem requisitadas através da chamada “Carta de Sesmaria” às autoridades coloniais. Normalmente se iniciava antes a atividade pecuária, quando se tomava posse da terra e se erguia os currais; depois havia o pedido de propriedade legal concedendo Sesmarias (pedaços de terras cujas medidas eram no máximo três léguas de frente e uma de fundo).

O Governo português estimulava a ocupação dos sertões, pois, garantia domínio sobre as terras há tanto possuídas e não ocupadas, como também o entesouramento com cobranças de impostos sobre gados e a produção da terra. Foi assim que os conquistadores lusos invadiram pelo Rio Jaguaribe o interior cearense e escravizaram os  índios submissos,  exterminando os “rebeldes”. Assim os índios, verdadeiros donos de nossas terras desapareceram, restando entre nós um remanescente sem expressão.

Com o incremento do latifúndio, ficou a pecuária e a cotonicultura. Isso motivou no último quartel do século XIX quando da aprovação do traçado da Estrada de Ferro de Baturité, para que o trem passasse no distrito de Ibicuã, cuja inauguração da Estação Ferroviária ocorreu aos 3 de maio de 1908, no km 338,166, linha Sul do Estado.

Com o nome de Miguel Calmon, somente em 1945 é que ela tomaria o nome do Distrito.

Ibicuã por ferrovia transportou por muito tempo algodão arbóreo e herbáceo, e também gado, porém, com o enfraquecimento da cotonicultura cearense e, as constantes secas ocorridas no século passado, esse distrito sofreu também o efeito. As cargas desapareceram.

Com a erradicação dos trens de passageiros de longo percurso em dezembro de 1988, Ibicuã saiu da mídia, ficando vinculados seus acontecimentos à Piquet Carneiro, sua sede. Os moradores amam com orgulho a terra que os viu nascer, mas lhes falta algo, que presumo ser o movimento da Estação e as viagens de trem.