JAGUARIBE E O RAMAL DE CARIÚS: FERROVIA HÍDRICA

 

Entrada do Ramal de Cariús e Estação de Jaguaribe

 

Ramal e Construção da Estação de Cariús

Estação de Cariús

 

 

CARIHÚ: rio que nasce da serra de Santa Maria e do Brejo Grande, engrossa os Bastiões e despeja na margem direita do Jaguaribe, pouco abaixo de São Mathéos: Suas margens são muito férteis para legumes, mandioca, fumo e canna. Pompêo, Dic.Top. Cit. – Ety.: – O Visioneiro padre Francisco Telles de Menezes, na sua Lamentação Brasílica, descobrindo por toda parte thesouros escondidos, dá as duas: quaurijuba rio, corrente dobrada, ou corijuba alforge ou saco de ouro; porque, diz elle, à margem deste rio havia tanto ouro, que os índios o apanhavam em lascas para fazer preácas para suas flexas, tendo depois sepultado em sexos todo o que estava sobre a terra, em conseqüência de desgostos que tiveram. Desta versão, porém, toda filha de uma imaginação enferma, não se encontra mais noticia em parte alguma. O rio é tão pobre de ouro quanto o autor de critério. A verdadeira etymologia é: água sahida do mato, Caa-ry-hú, allusão às cabeceiras, que ficam n’uma serra das mais cobertas de mattas.” (Transcrito do Tomo n° I do Instituto do Ceará, pág. 257, ano 1887).

A Estrada de Ferro de Baturité chegou ao município de Iguatú em 1910. A Rede de Viação Cearense já estava sob o domínio da firma inglesa South American Railway Construction Company Limited, cuja sede era em Londres, na Inglaterra.

O trecho de Iguatú até a cidade de Lavras da Mangabeira perfazia um total de 76 quilômetros de percurso e, tendo em vista se dirigir para a fertilíssima Zona do Cariri era considerado o mais importante prolongamento em construção da RVC. Sofreu ostracismo, efeito de conflitos políticos no Estado do Ceará, dentre os quais a queda da “Oligarquia Acciolyna” e a “Sedição de Juazeiro”. A Companhia inglesa construiu a ponte sobre o Rio Jaguaribe em Iguatú e, iniciou no dia 12 de agosto de 1913 o ramal de Icó, suspendendo três meses depois. No inicio de 1914 apenas 400 operários trabalhavam em rumo a Fazenda Cedro. Sob o comando de um anônimo funcionário subalterno, a agitação política foi tanta que, cortaram o fornecimento de gêneros alimentícios e os serviços da estrada foram suspensos por completo.

Foi a grande sêca de 1915 que fez o Governo Federal assinar o decreto nº 11.692, declarando caducado o contrato entre o Ministério da Viação e Obras Públicas e a Firma Inglesa SARCCOL. Como medida de socorro público aos flagelados da seca, o Governo agiu assim, mantendo uma ação contra a calamidade efeito da seca, oferecendo trabalho na construção e prolongamento da Via Férrea; poupando a nação de perdas, em somas avultadas já empregadas nas obras que foram abandonadas pela South American.

Os trilhos seguiam na direção do Município de Crato quando, novamente arrebentou outra sêca no sertão Cearense. O Presidente da República era o paraibano Epitácio Pessoa que, sensibilizado com o sofrimento dos nordestinos, reorganizou a Inspetoria de Obras Contra as Secas (IOCS) no dia 19 de julho de 1919. No mesmo ano, aos 25 de dezembro, por força do decreto nº 3.965 subordinou a Rede de Viação Cearense a já Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas (IFOCS). Essa Inspetoria perduraria até 28 de dezembro de 1945, quando o Ministro da Viação e Obras Públicas no Governo José Linhares, Dr. Mauricio Joppert, por força do Decreto n° 20.284 aprovou um regimento novo e a transformou em Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – DNOCS. Era estratégico, a ferrovia fazer parte na construção das “Grandes Obras do Nordeste” com as barragens de alvenaria, destinadas a armazenagem da água necessária à irrigação.

Um dos locais destinado a tais obras foi o Poço dos Paus (Cariús) que na época pertencia ao Município de São Mateus. O nome Poço dos Paus vem dos poços que são formados nas margens de vários morros de vegetação cerrada, daí alguns eruditos dizerem “Água Saída do Mato”. Situa-se o território do Município na zona do sertão do Salgado e Alto – Jaguaribe. O nome Cariús também é questionado “Rio de Cari”, de Cari= um peixe da água doce e Hu= Águas.

Cariús foi primitivamente habitada pelos índios Quixelôs e, a colonização foi feita com a instalação de currais de gado, que transformou o local em uma fazenda. Até 1919 Cariús era uma paisagem quase deserta. A história começa praticamente em 1920 quando consolidou a nomenclatura Poço dos Paus, devido ao grande açude público. Construído em 1922 pela a Firma norte americana Dwghtp P. Robinson & Company Incorporation, o reservatório tinha capacidade de armazenar um bilhão de metros cúbicos.

Foram nascendo assim pequenos comércios, e com a segregação, em 1938 o Arraial, pelo Decreto Lei  n° 169  fora elevado à categoria de Vila Poço dos Paus. Em virtude da Lei n° 1.153 de 22 de novembro de 1951, foi criado o Município bem como os distritos de São Bartolomeu, São Sebastião e Caipu. A solene instalação oficial ocorreria aos 25 de março de 1955 quando, se desmembrou do Município de Jucás, outrora São Mateus. Seu primeiro prefeito foi o Sr. Silvestre Almeida Duarte .

A entrada do ramal ferroviário para Cariús foi ao Km 424,293 da linha Sul, quando os trabalhos de construção e prolongamento da RVC já estavam em Aurora. O trem ao sair de Iguatú podia ir para Cariús, trecho esse construído pela mão de obra dos retirantes da sêca de 1919. O Governo com isso estava aumentando os recursos hídricos e, socialmente assistindo o trabalhador com renda. Um homem fora do mercado de trabalho é uma família fora do mercado de consumo; é economia parada.

Aí vamos para o tema. Em toda bifurcação ferroviária em trecho deve existir uma estação, onde o seu agente controla o tráfego através do licenciamento de trens. A estação foi construída. Nada mais romântico do que se chamar Jaguaribe. Com altitude de 220,100 m, a mesma fora inaugurada em 31 de dezembro de 1922, ocasião em que o ramal passou a funcionar. Esteve na cerimônia de inauguração, O diretor da RVC Luciano Martins Veras, O Chefe de Obras, Engº Octávio Bonfim, e o Governador Justiniano de Serpa que representou o Presidente da República.

Essa foi a estação das águas: Construída inicialmente para atender os trens que conduziam o material para as  barragens do açude Poço dos Paus, a linha férrea também saiu acompanhando o rio Jaguaribe. Existia um trem de passageiros que partindo de Iguatú, atendia esse ramal e conforme as necessidades, também trafegavam os de cargas. Tinha uma estação intermediária chamada Maurícia, ou seja, a parada de Quixoá oficializada três anos após.

 A partir de 1974 o ramal já estava inserido como antieconômico, e dois anos após quando reformaram a estação de Iguatú, os trens já não trafegavam mais nesse trecho, por isso a estação desapareceu.

…Estação de Jaguaribe e Ramal de Cariús. São histórias hoje, somente contadas pela população ribeirinha. Os ferroviários parecem que as esqueceram

 

 

 

 

 

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