A ESTAÇÃO DE TRES NOMES

 

 

 

 

Daniel de Queiroz é um distrito do município de Quixadá, Estado do Ceará. Tendo sido elevado a sede distrital pela lei estadual n° 1156 de 4 de dezembro de 1933.

Localidade privilegiada pela ferrovia em seu traçado, em 1891 ocorreu a inauguração da estação ferroviária de Junco da então Estrada Ferro de Baturité, depois  Rede de Viação Cearense. Tal qual as demais estações intermediárias, na solidão e em tom melancólico, saudava os trens de cargas da Transnordestina Logistica S/A que ali não param mais, (Quem sabe um dia?!). O nome Junco veio da fazenda na qual foi construída a Estação que na época pertencia à Daniel de Queiroz Lima. A fazenda mantém a mesma denominação até hoje. Pelo decreto-lei estadual nº 1.114, de 30 de dezembro de 1943, o distrito de Junco passou a denominar-se Muxiopó, denominação original, afinal, essas terras pertenciam a indios com essa denominação, tal quais os vizinhos Quixadás. Depois a Sesmaria arbitrariamente como as demais, foi concedida a Antonio Alves de Lima e Jose Queiroz Lima de tres léguas, pela Junta Provisória do Governo do Ceará em 12 de Novembro de 1823. (Isso explica a perca das terras que pertenciam aos indígenas).

Em 1957, o nome foi alterado novamente, desta vez para Daniel de Queiroz, pela lei estadual nº 3.626, de 11 de junho do mesmo ano. Antiga localidade de Junco (denominação ainda hoje usada por alguns moradores) o topônimo Daniel de Queiroz foi dado em sua homenagem.

Na área do distrito onde está localizada a Fazenda Não Me Deixes que pertenceu a Daniel e depois herdada por sua filha Rachel de Queiroz foi por iniciativa desta, as terras foram transformada em reserva particular do patrimônio natural em 1999.

A sede do distrito não chega a ser uma vila, existem apenas algumas casas dispersas em torno da estação. Sua população estimada pelo IBGE para 1996 era de 536 habitantes. Tem sua economia baseada na agricultura de subsistência e assim como os demais distritos quixadaenses, está também baseada nos salários do funcionalismo público municipal, nas aposentadorias e em programas assistenciais do governo federal.

 

  Meninos criados à beira da linha férrea, a estação da RVC, orgulhosamente chamada Junco (o nome da fazenda de meu pai), para nós o trem era o rei do mundo, só tinha como rival o navio, que anda por cima do mar. Sabíamos décor o horário dos trens, inclusive os de carga. Conhecíamos os maquinistas e o nosso herói era certo Abílio, que subia o alto da Carnaúba, passava voando pelo pontilhão do riacho dos Cavalos, e ia puxar os freios já na reta da estação. De noite era lindo, lá do alpendre da fazenda, via-se o holofote do trem, como um sol avermelhado, tirar a escuridão. Nós sentíamos uma espécie de sentimento de propriedade em relação à estrada. Afinal, fora o nosso avô, o Dr. Arcelino, que doara e não venderia como os demais proprietários, os 14 quilômetros de pista, com 30 metros de largura, para a linha passar. E só viajávamos de trem, até mesmo para ir a Quixadá, a curtas 3 léguas de distância.  

                                                                        Rachel de Queiroz,

                                                  Jornal O Estado de Minas, de 23/03/1997

 

 

Daniel de Queiroz Lima

Nasceu na Fazenda Califórnia, hoje distrito de Califórnia, município de Quixadá. Era filho de Arcelino de Queiroz Lima e Rachel de Queiroz Lima. Exerceu as funções de juiz municipal em Quixadá de 1912 até 1914 quando foi nomeado promotor de justiça em Fortaleza e diretor do gabinete de Identificação do Ceará. Após um ano no cargo, pediu demissão e passou a lecionar Geografia no Liceu.

Em julho de 1917 mudou-se com sua família para o Rio de Janeiro e, depois, em novembro do mesmo ano, para o Pará, onde morou por dois anos, dedicando-se à advocacia e ao magistério. Foi um dos fundadores da Escola de Agronomia de Belém. Retornou ao Ceará em 1919, inicialmente para Guaramiranga, e depois novamente para Quixadá e, finalmente, Fortaleza onde adquiriu o Sítio do Pici (bairro Henrique Jorge).

Casou-se com Clotilde Franklin de Queiroz com quem teve cinco filhos e, entre estes, a escritora Rachel de Queiroz. Além de Rachel, tiveram Roberto, Flávio e Luciano e a caçula Maria Luiza. Daniel de Queiroz herdou a Fazenda Não Me Deixes de seu pai, que a doou para a filha Rachel. Em sua homenagem, no ano de 1961, o nome antigo Distrito de Junco, que alguns anos antes foi mudado para Muxipó, passou a se chamar Distrito de Daniel de Queiroz, nome que permanece até a atualidade.

Em 1948 Falece em Fortaleza e foi sepultado na Fazenda Califórnia.